
Senhoras e senhores, boa noite.
É uma grande honra assumir a presidência do Conselho Deliberativo da AMIF. Recebo essa responsabilidade com respeito, senso de compromisso e, sobretudo, com a convicção de que este é um momento de continuidade de uma trajetória sólida, construída com trabalho, diálogo e visão estratégica ao longo dos últimos 50 anos.
É essencial dar continuidade ao trabalho já em curso: continuidade da agenda estratégica, do diálogo institucional, da comunicação sobre os bioprodutos e do relacionamento com as instituições que interagem diretamente com o nosso setor. Nossa visão de longo prazo está representada no planejamento estratégico, e assumo aqui o compromisso de contribuir para sua concretização.
Mas continuidade não significa inércia. Precisamos potencializar o que funciona, corrigir o que precisa ser aprimorado e intensificar os esforços para gerar o impacto necessário ao atingimento de nossos objetivos. A AMIF deve seguir como uma entidade que organiza, articula e projeta o setor com consistência.
Outro ponto estratégico importante é olhar além de Minas e do Brasil. Muitas de nossas associadas têm clientes ao redor do mundo, um mundo em profunda transformação, impulsionado pela inovação, pela revolução tecnológica e por mudanças geopolíticas relevantes. Estar atento a esse cenário é essencial para que a AMIF continue preparada, conectada e capaz de identificar oportunidades antes que se tornem urgências.
Durante muito tempo, o Brasil foi tímido ao mostrar suas florestas ao mundo. Talvez por modéstia, talvez por falta de comunicação estruturada, ou por não termos, até então, plena dimensão do valor estratégico que possuímos. Esse cenário, no entanto, está mudando.
Hoje, os olhos do mundo estão voltados para as florestas brasileiras. E não por acaso. O mundo busca soluções ligadas à sustentabilidade, à bioeconomia, à transição energética, à biodiversidade, à inovação e à segurança de suprimentos. Nesse contexto, o Brasil tem algo extraordinário a oferecer.
Precisamos estar preparados para comunicar melhor, demonstrar com clareza a qualidade dos nossos processos, a solidez do nosso manejo e a sustentabilidade real da nossa base florestal. Precisamos mostrar que nossas florestas são parte da solução e não apenas um ativo produtivo.
É importante destacar que a contribuição do setor florestal vai muito além da produção comercial. Segundo dados da IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), para cada 60 hectares de florestas plantadas voltadas ao uso comercial, existem 40 hectares de florestas nativas preservadas pelas mesmas empresas. Não há, no mundo, proporção semelhante de conservação.
Esse dado reforça um ponto essencial: produção e conservação não são opostos. Ao contrário, podem caminhar juntos de forma responsável, técnica e sustentável. Nosso setor demonstra, na prática, que é possível produzir com eficiência e, ao mesmo tempo, preservar e valorizar a biodiversidade, uma biodiversidade que encanta o mundo.
Tive a oportunidade de apresentar nossas florestas na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. Em todos esses locais, ouvi relatos de surpresa e admiração. Muitos não conheciam a dimensão do nosso trabalho e destacavam o quanto nossas florestas e nossa biodiversidade são extraordinárias.
No contexto nacional, Minas Gerais ocupa a primeira posição no ranking de florestas plantadas do Brasil, com 2,3 milhões de hectares, o equivalente a 24% da base florestal do país. Além disso, estamos presentes em 803 municípios mineiros, o que representa 94% dos municípios do estado.
Esses números vão além de estatísticas. Eles revelam capilaridade, presença, relevância e potencial de desenvolvimento. Revelam também a força de um setor que dialoga com o território, com o produtor rural, com a indústria, com a inovação e com o futuro.
Um dos nossos maiores desafios, e também uma das nossas maiores oportunidades, é aprofundar a convergência setorial. Precisamos aprimorar nossa governança para identificar, de forma cada vez mais ampla, os pontos de encontro entre diferentes interesses, sempre em benefício do setor como um todo.
A AMIF deve ser, cada vez mais, um ambiente de colaboração, inovação e aprendizagem contínua. Sua existência só faz sentido se continuar sendo esse espaço de convergência, troca qualificada e construção coletiva de soluções.
Também precisamos olhar com atenção para a integração da base florestal. Em Minas Gerais, cerca de 50% dessa base está sob gestão de pequenos e médios produtores, um elo fundamental para a competitividade e sustentabilidade da cadeia.
Temos, portanto, a responsabilidade de ampliar essa integração, compartilhando conhecimento, boas práticas, tecnologias e oportunidades com segurança e responsabilidade. Isso fortalece toda a cadeia, da qualidade da madeira aos seus subprodutos.
Outro eixo central é o desenvolvimento de bioprodutos e de suas cadeias de valor. Trata-se de um caminho estratégico para a diversificação da agroindústria florestal mineira e para o fortalecimento da bioeconomia e da circularidade econômica.
Mas isso não acontecerá por acaso. É necessário unir esforços em pesquisa, desenvolvimento e parcerias concretas para transformar potencial em resultado.
Menos individualismo e mais integração.
Menos fragmentação e mais cooperação.
Esse é o caminho para avançarmos com consistência, fortalecendo a indústria e aproximando-a dos setores consumidores de bioprodutos, criando relações mais robustas, inteligentes e duradouras.
Caminhando para o encerramento, assumo esta missão com entusiasmo e humildade. Os desafios são grandes, mas contamos com uma base sólida, uma história de sucesso e uma capacidade extraordinária de construir soluções quando trabalhamos juntos.
Que esta nova etapa seja marcada pela continuidade do que é bom, pelo fortalecimento do que precisa crescer e pela coragem de inovar onde for necessário.
E que a AMIF siga sendo um espaço de união, aprendizado e geração de valor para Minas Gerais e para o Brasil.
Muito obrigado.
